
Desde 2001 o Teatro de Anônimo vem desenvolvendo a linha de pesquisa Solos Anônimos para dar conta da demanda artística individual de seus integrantes. Dentro dessa perspectiva o ator/palhaço João Carlos Artigos resolveu, em 2004, atravessar o oceano para descobrir, perder, entender, desconstruir, refazer sua trajetória com a luxuosa ajuda do palhaço-bufão italiano Leo Bassi, um dos mais ácidos cômicos da Europa na atualidade, na tentativa de aprofundar os conhecimentos do ofício da arte de fazer rir.
O roteiro foi escrito por João Carlos Artigos em conjunto Leo Bassi, também diretor de Homem Bomba.O encontro de dois processos de trabalho completamente distintos que têm como ponto de ligação a inquietude com relação ao papel do palhaço na sociedade vai resultar em um espetáculo/processo vigoroso que dá espaço a reflexões sobre o papel do artista, as relações de poder, a educação, o consumo, o cinismo, as perversões, os preconceitos raciais, a brutalidade midiática e a função de cada cidadão na construção de uma sociedade mais justa.
Homem Bomba é um work in process, espetáculo-avaliação-balanço de um palhaço que, ao tentar exercer seu trabalho, depara-se com um universo completamente hostil gerado por um grupo de crianças de classe média alta. Encontra Pedro, garoto rico de 11 anos, que odeia palhaços, o desbanca e, sem saber, aciona o dispositivo do Homem Bomba. Em linhas gerais, a peça mostra uma espécie de 11 de setembro dos palhaços, com bom humor, é claro.Partindo da realidade desse profissional/cidadão, o espetáculo discute várias questões que estão na ordem do dia na sociedade moderna. Valendo-se de algumas habilidades circenses como o malabarismo, o equilibrismo, a magia e a manipulação de bonecos, o ator cria um ambiente mágico, lúdico e às vezes onírico para conduzir o espectador, a partir de uma relação direta, a uma viagem bem humorada, trágica, patética, singela, onde o objetivo é refletir e provocar a indignação.

