Tem peixe no mercado

Excudo Negô
Usina de produção de textos sobre Gestão Cultural

O circuito cultural Mercado do Peixe compreende a Praça Marechal Âncora (núcleo colonial da cidade) e a rua do Mercado. Esta espécie de “arquipélago” foi a parte mais prejudicada, desfigurada e arrasada pelas demolições encenadas para a implantação do viaduto da Perimetral. Hoje, o antigo sobrevive à sombra do moderno.
O Centro é o núcleo fundador da cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro, é o berço, a aldeia-mãe em torno da qual toda a urbanização se formou. A partir do Centro a cidade foi criando suas formas labirínticas, por meio de ruas, becos, travessas, ladeiras, esquinas, mercados e prédios. Hoje, os vestígios dessa formação originária estão aí vivos – aguardando por uma política patrimonial equilibrada capaz de dar conta tanto da riqueza arquitetônica dos prédios oficiais, quanto das edificações, estabelecimentos e ruas que caíram no esquecimento do cotidiano ordinário das cidades demolidas. Mais do que isso, esperam por uma interpretação política, sensível e atenta aos valores anônimos das coisas sem pompa e circunstâncias por parte das elites de todas as épocas.

A convivência entre o moderno e o antigo, e o exuberantemente contemporâneo e o Kitsch dos desclassificados, o sofisticado e o modesto, entre os diversos valores e múltiplas formas de uso deve dar o tom de uma preservação democrática dos patrimônios produzidos e simbolizadores de todos os segmentos da sociedade. A história do Brasil deve ser contada com a pedrinha portuguesa e com a poeira dos becos sujos dos mercados negros. Percorrer os caminhos remanescentes dos períodos colonial, imperial e republicano, com suas transformações naturais e planejadas (na maioria das vezes: violentas e arbitrárias) até








 
os dias de hoje, é no mínimo, praticar justiça à memória de uma cultura mestiça que mistura tradição e modernidade. Percorrendo-o, pode-se perceber a nostalgia do Cais e da antiga Praia do peixe, o encanto verde-ferruginoso do restaurante Albamar (único sobrevivente dos 4 torreões que serviram ao antigo Mercado Municipal) e a monumental imponência do Museu Histórico Nacional (muralha da antiga fortaleza de Santiago – 1603)

No corredor sinuoso que liga esse que é um dos mais importantes conjuntos arquitetônicos do Rio, vamos passeando e encontrando os vestígios do que foi o Morro do Castelo, a Ladeira da Misericórdia, a Igreja de Nossa Senhora do Bonsucesso (Século XVI), o Museu da Justiça, o Museu da Imagem  e do Som (1922), o  Museu Naval e oceanográfico (1898), o Aeroporto Santos Dumont (1938) e a Rua do Mercado com a Casa Mercado 45.

O Projeto de revitalização do denominado Circuito Mercado do Peixe deverá ligar o Museu Histórico Nacional à Rua do Mercado 45, envolvendo atividades como exposições, shows, encenações ao ar livre, autos, cortejos, concursos de choro, a feira de antiquário e uma festa gastronômica  exclusivamente dedicada aos pratos à base de peixes e frutos do mar  na Rua do Mercado.

*texto produzido pelo EXCUDO NEGÔ, coletivo militante autônomo temporário de produção de textos para o MBA de Gestão Cultural, formado por Flávia Berton, Márcia Nunes e Sidnei Cruz, para a disciplina Patrimônio Cultural com a intenção clara de desenvolver projetos nesta região, devido à parceria mantida desde 1999, na elaboração e execução do projeto CASA MERCADO 45.