As experiências pessoais dos integrantes do Teatro de Anônimo, todos nós nascidos e criados na periferia do Rio (Engenho da Rainha, Irajá, Vila da Penha, Abolição, Anil e Padre Miguel) são o exemplo do que é ter oportunidade de expressão.  Através do trabalho artístico, tornamo-nos, infelizmente, exceções em nossas comunidades: é possível constatar que muitos de nossos amigos de bairro foram para o tráfico, se perderam no vício, ocupam subempregos, formando em sua maioria um esquadrão de “cidadãos de segunda”.

O Rio de Janeiro é considerado uma cidade integradora, apesar das diferenças econômico-sociais. Esta integração sempre se deu sob mediação cultural, seja ela numa quadra de escola de samba ou na praia de Copacabana. Sempre encontramos uma maneira de reinventar criativamente as dificuldades do dia-a-dia. O Prof. Milton Santos costumava dizer que não fosse a inventividade do pobre brasileiro o país já havia quebrado.


mapa do Rio descrevendo movimentos

Partindo dessas duas premissas, a experiência pessoal dos integrantes do grupo e as reais necessidades dos cidadãos menos privilegiados de nossa cidade, criamos, juntamente com os grupos associados da CASA – Associação de Artistas Autônomos, o projeto Território Cultural com vistas ao fortalecimento dos trabalhos já desenvolvidos por organizações da sociedade civil que têm a cultura como instrumento de inclusão social.
Sabendo que muitos são os projetos sociais surgidos nos últimos anos sob o binômio arte/educação,  e tendo consciência de que poucos conseguem se desdobrar para além da formação técnica básica contribuindo efetivamente para a qualificação profissional dos jovens atendidos, o projeto Território Cultural procurou  fortalecer o trabalho de ONGs  e outros grupos cuja atuação ultrapassasse a perspectiva de formação técnica para o mercado de trabalho.

Nós do Teatro de Anônimo e nossos parceiros nesse projeto cremos que os valores de auto estima, igualdade social e cidadania estejam intrinsecamente ligados à capacidade dos jovens menos privilegiados em articular a sobrevivência econômica de suas famílias. Com esta perspectiva, o projeto Território Cultural, atuou em cinco regiões da cidade - Guaratiba (Zona Oeste), Serrinha e Andaraí (Zona Norte), Vidigal (Zona Sul) e Maré (subúrbio da Leopoldina) -, focalizando dois pontos básicos: a produção artística/cultural, como elemento de educação para o desenvolvimento (inclusão social e referência na construção de uma identidade), e a qualificação profissional, capaz de gerar renda. A atuação nessas comunidades somou-se à dos grupos Cia Étnica, Nós do Morro, Ceasm, Jongo da Serrinha e Movimento Fé e Amor, exemplos de trabalhos que conseguem dar um salto qualitativo no fortalecimento da cidadania de jovens aliando conceitos estéticos e ideológicos em seus fazeres.


uma ação integradora

Uma das preocupações fundamentais foi estabelecer um diálogo aberto e direto com os grupos anfitriões e lideranças comunitárias, alargando o campo de percepção através do levantamento de dados, das histórias das comunidades e de entrevistas com pessoas dos territórios trabalhados.

O projeto se traduz por um grande festival de artes nas comunidades, aberto por um cortejo musical circense anunciando o que vem adiante:  poesia, números de circo, espetáculos, a delicadeza musical das marchinhas, maxixes e frevos e a simplicidade das manifestações populares como o bumba meu boi. Esse “arsenal” de linguagens artística, apresentado pelos grupos profissionais e pelos jovens alunos atendidos pelos projetos locais, inverte a lógica de violência e exclusão do dia-a-dia.




Clique abaixo e confira os depoimentos sobre o Território Cultural dados por moradores e lideranças dos locais por onde o projeto passou.
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