Ministrante: Shirley Britto
Oficina
A oficina é um convite a uma aventura animalesca. Um jogo de provocação dos nossos instintos. Uma experimentação lúdica onde cada participante recebe seu chamado animal e se conecta com ele. Esse animal pode estar sob a pele de poderosas feras selvagens, ou ser um fofo cachorro vira-lata caramelo. Essa oficina faz um paralelo do arquétipo do palhaço com um cão sem pedigree, que encontra a felicidade nas ruas, na sua liberdade de vagar por aí cheirando coisas ou abanando o rabo para as pessoas.
Essa experimentação parte de jogos de palhaçaria, de improvisos e instigações cênicas, de dinâmicas afetivas e divertidas que influenciam as trocas entre os participantes, e depois segue em direção das regiões mais intensas do campo da bufonaria. Para que esse mesmo vira-lata que abana o rabo, também possa mostrar os seus dentes, se for preciso.
Objetivos
A oficina, partindo de experimentações cênicas da técnica da palhaçaria e de um mergulho no universo da bufonaria, pretende contribuir para a intimidade dos participantes com a cena. Influenciar, através do contato direto com a comicidade e a ludicidade, características dessas técnicas, as relações de troca entre os participantes e a comunicação entre palco e plateia.
Criar um espaço afetivo para que cada participante sinta segurança em se permitir rir de si mesmo(a) e perceber os efeitos da comicidade sobre nossos humores. Podendo provocar essas sensações também na plateia.
Contribuir com o pensamento da importância desses arquétipos teatrais como elementos fundamentais para as reflexões acerca dos nossos desafios da vida em sociedade.
Justificativa
Fábio Freitas é integrante do Teatro de Anônimo, grupo que fundamenta sua pesquisa artística no universo da comicidade, da cultura popular e do circo. O grupo, de mais de 30 anos de trabalho, é criador do Encontro Internacional de Palhaçaria Anjos do Picadeiro. A partir da relação com vários mestres da arte de fazer rir como: Grupo Lume (Campinas - SP), Família Colombaioni (Itália), Sue Morrison (Canadá) e Avner Eisenberg (EUA), entre outros, o artista foi construindo o entendimento da importância dos efeitos da comicidade, tanto para quem assiste, quanto para quem está em cena.
Além dessas vivências com profissionais dedicados a essa nobre arte, dos anos de atuação do Teatro de Anônimo pelo Brasil e vários outros países em espetáculos e oficinas, esse resultado dedicado à investigação cênica também foi intensamente influenciado pela construção do espetáculo do artista chamando Cão Chupando Manga, onde ele brinca de transitar entre suas humanidades e animalidades.
Metodologia
A oficina é dividida em dois momentos, o “Rabo” trabalha sob os princípios básicos da palhaçaria.
Jogos de descontração, de relação entre os participantes. Dinâmicas de auto observação e "fisicalização" das emoções. Jogos de improvisos e dinâmicas que trabalham a escuta, triangulação do olhar, lógica e espaço aberto pros ridículos. Momento mais lúdico e divertido da oficina.
Em seguida partimos para os “Dentes” onde visitamos nossos lugares mais “raivosos” em dinâmicas mais sensoriais, de estímulos de outros sentidos, até os jogos de deboche e escárnio.
Público-alvo
Atores, atrizes, performers, bailarinos, artistas em geral que buscam a comodidade para afetar seus resultados cênicos, e público interessado em experimentar uma vivência de auto observação.